Réquiem
À meia luz, na meia noite
no açoite carrego minha cruz.
A madeira seca leva todo o sentimento.
A mim já não interessam muitos,
não preciso deles, jogo-os na cruz.
E em cada momento
sinto tudo pesar
(o pesar, o pensar, apesar).
Meu corpo a definhar,
a alma já não sabe aonde ir
(ou não quer mais prosseguir).
Com o vazio no peito
carrego o fardo, carrego a cruz
e com ela, todos os pecados
que um dia, à meia luz, virarão luz.
