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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Réquiem

À meia luz, na meia noite
no açoite carrego minha cruz.
A madeira seca leva todo o sentimento.
A mim já não interessam muitos,
não preciso deles, jogo-os na cruz.

E em cada momento
sinto tudo pesar
(o pesar, o pensar, apesar).
Meu corpo a definhar,
a alma já não sabe aonde ir
(ou não quer mais prosseguir).

Com o vazio no peito
carrego o fardo, carrego a cruz
e com ela, todos os pecados
que um dia, à meia luz, virarão luz.

[Marília Carreiro]

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Saudade

Um quarto vazio
Uma alma cheia
Cheia do vazio que se dá quando o coração está cheio.
Coração que bate lento esperando pelo tempo de acelerar.
Acelerar por um abraço, um afago, um sorriso, um beijo.
O Beijo-desejo.

Desejo da junção dos – nossos – dois corpos
Dois corpos que sempre estiveram ligados
E por estarem ligados, sempre serão um.

[Marília Carreiro]

quinta-feira, 11 de junho de 2009

D

Dia st(r)ático
dial ético
dia amante
dia lógico
dia

ia
[Marília Carreiro]

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

ad aeternum

a porta está aberta e a casa bagunçada.
arrume tudo do seu jeito, não ligue pros defeitos.
tome minha vida, já é sua.

enuminstantetudomudará
ésóalgodiferente
maséassimqueeuquerotudo:
querovocêcolademmim.

nossasvidasnumnúmerodeitado.
deitemos.

planos.segredo.meu amor todo seu.

[Marília Carreiro]

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

dose

Dedilha os dedos sobre as cordas dos violões e faz um samba enquanto danço a dança dos descontentes, olho os olhares perdidos e bebo a bebida que me embebeda.

E chove chuva, chove sem parar e não canse de chover. Quem tá na chuva é pra se molhar.

Tchau, fui me molhar na água da chuva que cai de nuvens.

Trevo, encruzilhada, macumba. Pura redundância.

É a bebida de segunda linha.

[Marília Carreiro]

domingo, 9 de novembro de 2008

é tudo um processo circular. Num círculo a gente nasce, cresce e circula. De um círculo passamos para outro e circulando voltamos para o primeiro de todos os círculos. E depois de um determinado período, percebemos que não existe divisão: o círculo que pensávamos ser o primeiro é único. Aquela parte separada na verdade era ligada a esta que será ligada àquela outra. Assim chegamos às respostas de todas as perguntas que nos fizemos enquanto circulávamos pela roda da vida. Essa roda que roda e nunca vai parar de rodar. E quando parecer ser o fim, não é, pois um círculo nunca tem fim. Você nunca tem fim. Não temos fim. O fim não existe:



[Marília Carreiro]

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

16:50.18:53

Da janela vejo o vento folheando folhas.

Folheando nuvens e seus desenhos,

a água, o céu, a terra... folheia, vagueia.

Passa por todos, mas é sempre sozinho.


Já é quase noite. Escurece.

O sol esqueceu do hoje.

Luzes se acendem e o vento insiste no trabalho de folhear coisas...

Sozinho.


Passam horas e ele ainda está lá.

Passarão horas e ele ainda estará lá.

Por que será?

Será lá o seu lugar?

[Marília Carreiro]

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